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A princesa e o Manequim – Terceira parte (última)

Como vimos no final da segunda parte, os príncipes pretendentes à mão da princesa Matildra começaram a subir ao altar do trono para experimentar o terno. Atrás de um biombo eles eram auxiliados pelo alfaiate e o mago a entrar na tal vestimenta.

O primeiro a se apresentar foi o príncipe Adjir do reino de Ilhaaosul, localizada na ilha ao sul. Adjir era um príncipe baixo, forte e musculoso com enormes braços e ombros largos. O terno ficou muito apertado em torno de seu corpo arredondado, o tecido só não se rasgou graças à mágica do mago que tornou o terno resistente a qualquer mal trato. A calça terminava na canela peluda, enquanto o paletó não podia ser abotoado em torno de seu peitoril largo. A gravata ficou curta demais e a camisa não parava dentro das calças. Mesmo assim Adjir se apresentou sorridente e feliz perante a princesa.

- Serviu perfeitamente – falou numa voz estrangulada pela gravata apertada. – É como se tivesse sido feito para mim – completou.

A platéia soltou um murmúrio de desaprovação enquanto os pais de Adjir aplaudiam a apresentação do príncipe. O Rei pediu silêncio e, após ser obedecido, olhou interrogativo para a princesa.

- E então minha filha? – perguntou. – Esse é o escolhido?

Matildra torceu o canto da boca e olhou para o príncipe espremido dentro da roupa menor que ele. Pensou por dois segundos e disse apenas uma palavra: - Próximo.

– Que entre o próximo candidato gritou o rei enquanto Ma-go e Alfa-iate levavam Adjir, que estava começando a ficar azul, para trás do biombo a fim de tirar o terno.

O segundo pretendente foi o príncipe Alzenir. Ao contrário de Adjir, Alzenir era magro e alto. Essas qualidades porém não foram suficientes para fazer o terno lhe vestir bem. A calça e o paletó ficaram extremamente curtos e a camisa branca extremamente folgada devido à falta de massa corporal para preenche-la. O príncipe ficou parecendo um enorme espantalho sem palha vestido em folgadas roupas de palhaço. Mesmo assim Alzenir caminhou confiante até a princesa Matildra e dobrou-se, feito um bicho pau, numa reverência.

– Eu sabia que esse terno foi feito para mim – falou sorridente.

Sentado onde estava, o pai de Alzenir, duas vezes mais alto e com a metade do peso do filho, gritou: – Isso sim é elegância.

A platéia manifestou novamente sua desaprovação e Matildra, mais uma vez, proferiu a sábia palavra: – Próximo.

Um a um os candidatos foram se apresentando, mas nenhum conseguiu vestir com elegância o precioso terno. Algumas vezes por excesso, outras por falta de príncipe para preenche-lo.

O último a se apresentar foi o príncipe Grandouf. Quando Grandouf entrou, todos concordaram que o terno até poderia ter-lhe caído bem, se fosse feito para alguém com vinte centímetros de altura. O pequenino príncipe entrou arrastando as abas e as mangas do paletó atrás de si. Caminhou até Matildra e falou, olhando para cima: - Sua procura terminou princesa.

- Posso ouvi-lo mas não posso vê-lo – respondeu Matildra olhando para baixo. - Próximo – gritou para o pai.

- Não existe próximo minha filha – comunicou o rei, – este foi o último.

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Os convidados não conseguiram esconder a decepção. Tantos candidatos e nenhum se mostrou à altura da maravilhosa vestimenta. Pelo contrário, a nobre roupa foi humilhada, arrastada e maltratada. Por isso sentiram certo alívio quando Alfa-iate vestiu novamente o terno no manequim mostrando sua verdadeira elegância e grandiosidade.

- A princesa fará sua escolha agora – comunicou o rei quando todos os candidatos, vestidos em suas próprias roupas, colocaram-se ao lado do manequim no pequeno palco.

Um murmúrio percorreu a multidão. “Quem será o escolhido?” perguntava um. “Eu acho que será o varapau” arriscava outro. “Eu gostei do pequenino” emendava outro ainda. “Como? Só se via o terno?” “ Por isso mesmo!”

Somente quando o silêncio voltou a reinar a princesa levantou do seu lugar. Olhou demoradamente para a fila dos doze príncipes ao lado do manequim e falou alto para que todos pudessem ouvir: - O primeiro – anunciou.

- Adjir? – perguntou o rei incrédulo ao mesmo tempo que o príncipe começava a pular de alegria.

- Não – cortou a princesa. – Antes dele.

- Mas Adjir é o primeiro da fila – argumentou o rei. – Antes dele só há o manequim.

- Exatamente – concordou a princesa – Eu escolho o manequim para meu noivo.

Um oh! De exclamação percorreu os presentes.

- Mas é apenas um boneco minha filha – falou o rei. – Foi usado apenas como modelo para o terno.

- Exatamente papai – concordou mais uma vez a princesa. – Ninguém vestiu o terno tão bem e com tanta elegância como ele. – Todos balançaram a cabeça concordando com a indiscutível verdade. – Essa era a condição para a escolha. Portanto eu quero o manequim para meu noivo.

A multidão não se conteve. Todos começaram a falar ao mesmo tempo. “Isto está certo?” “Eu acho uma ótima escolha” “Concordo com você, os calados são os melhores maridos”

- Silêncio – ordenou o rei anunciando sua decisão. – A princesa está certa. A condição para a escolha do noivo era vestir com perfeição o terno criado por Alfa-iate. O terno foi criado sobre o manequim, por isso ele é o único que valoriza a elegância da roupa. – O rei fez uma pausa. Ordenou que trouxessem o manequim  para o centro do palco. Chamou Matildra e colocou os noivos lado a lado. Depois de feito os arranjos, concluiu: – Iniciem a festa para o casamento de Matildra e o manequim.

A multidão comemorou levantando os ombros. Haveria uma festa de casamento, isso é o que importava. Os mais descontentes com a decisão eram os príncipes candidatos. Por isso começaram a provocar.

- Diga alguma coisa manequim – gritou Adgir provocando risadas no público.

- Dance para a gente – emendou Alzenir chateado por não ser o escolhido.

Todos riram mais alto. Aplatéa começou a ver o ridículo da situação. O rei ficou encabulado e sem palavras, enquanto Matildra olhava para os lados nervosa. A piada final veio do pequenino Grandouf:

- Pode beijar a noiva manequim.

Foi uma explosão de gargalhadas. Ninguém conseguiu segurar o riso. Sem conter a raiva, Matildra gritou bem alto para os candidatos:

- Eu mesma posso fazer isso. Prefiro me casar com esse boneco a beijar qualquer um de vocês. – Dizendo isso Matildra ficou na ponta dos pés e depositou um beijo na face de boneco do manequim.

Nesse momento algo fantástico aconteceu. Uma intensa luz pareceu sair do boneco iluminando todo o ambiente. A platéia emudeceu. Todos levaram as mãos aos olhos protegendo-se da luminosidade. O rei e a princesa deram um passo para trás. No centro da luz foi possível ver a silhueta do manequim elevar-se meio metro acima do chão, girar lentamente por duas vezes no sentido anti horário e voltar novamente para o solo. Quando a claridade voltou ao normal todos puderam ver no lugar do manequim um perfeito príncipe em carne e osso vestindo o terno azul marinho. Tinha a mesma aparência e a mesma elegância do boneco.

Pela segunda vez na noite um oh! de exclamação percorreu a platéia boquiaberta. “É um príncipe de verdade” cochichou alguém. “O mais belo príncipe que já vi” respondeu outro.

Encantada com a bela visão e feliz com a escolha que fez, Matildra foi a primeira a falar: – Quem é você – perguntou.

– Eu sou o Manequim – respondeu o príncipe olhando a todos com olhos surpresos.

- Esse é o seu nome? – Perguntou desta vez o Rei. Aproximando-se novamente do casal de noivos.

- Sim – respondeu o príncipe. – É a união dos nomes dos meus pais. Meu pai se chamava Manuel e minha mãe se chamava Joaquim.

- E como você apareceu aqui? – perguntou a rainha, chegando pela primeira vez perto da filha.

Confuso e sem saber o que responder, Manequim abriu a boca para falar. Mas não chegou a faze-lo, porque no meio dos convidados reais alguém gritou com emoção: – É meu sobrinho, É meu sobrinho.

Era Rei-naldo quem gritava feliz. Senhor de Montanhasdonorte e convidado de seu amigo Re-i para assistir ao casamento, Rei-naldo não tinha herdeiros, pelo menos não até aquele momento, por isso não pode apresentar um candidato à mão da princesa.

- É o meu sobrinho – repetiu emocionado indo até o palco e abraçando o rapaz. – Ele foi levado ainda criança pela Bruxa do Leste – explicou a todos. – Ela deve te-lo transformado em um boneco e assim ele permaneceu por todos esses anos. Até hoje quando o encanto foi quebrado pelo beijo da princesa Matildra.

A platéia explodiu em vivas. Agora sim, teriam um casamento de verdade com um príncipe de verdade. Rei-naldo e Re-i abraçaram-se felizes com a união de seus herdeiros e a aproximação dos dois reinos.

Tirando os doze candidatos, que agora não tinham mais motivos nenhum para piadas, todos estavam felizes. Ninguém porém estava mais feliz que os noivos. Ela por ter confiado no terno e escolhido o príncipe certo.  Ele por ter sido libertado do encanto pela bela princesa.

E assim aconteceu. Naquela noite Matildra e Manequim casaram-se e viveram felizes por muitos e muitos anos.

Moral da história: “Cada um veste o que lhe fica bem. Seja feliz como você é. Não inveje a roupa (a vida) dos outros”.

Por isso naquela mesma noite o alfaiate pegou as medidas dos príncipes não escolhidos e, nos dias seguintes, confeccionou para cada um deles um belo terno que realçava suas qualidades.

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Fim

lauroelme | 20 de agosto de 2009 | 20:06 | Aventirinhas []
  • olha QUE LEGAL! disse:
    25 de agosto de 2009 às 16:04

    estoria muito engraçada

  • thayssa disse:
    31 de outubro de 2009 às 0:03

    podre perdi meu tempo de ir dormir agorinha pra ver essa estoria BESTA!

  • vitória disse:
    6 de março de 2010 às 13:19

    Nossa essa história é um orror

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