A princesa e o manequim - Primeira parte.
Esta estranha história aconteceu há muito tempo atrás num distante reino chamado: Reinomuitodistante. Reinomuitodistante era governado por um bondoso rei chamado: Re-i e por uma gentil rainha chamada: Ra-inha. Os dois possuíam uma única filha, a princesa do reino, que se chamava: Matildra.
Tudo começou certa manhã, quando Matildra levantou com um pensamento: “Quero me casar”. Transmitiu sua vontade ao pai durante o lanche matinal. Como todas as manhãs o salão estava cheio de convidados e funcionários do reino. Na mesa principal o rei, seguindo a tradição da família, tomava sopa de canudinhos enquanto a rainha comia manga no pé.
- Papai. Quero me casar – comunicou a princesa Matildra entre uma colherada e outra de pudim de quiabo, seu prato predileto.
O rei largou sua sopa, limpou a boca nos longos cabelos reais e olhou para sua filha com os olhos marejados.
- Gostaria que sua mãe estivesse viva para ouvir isso.
- Mas eu estou viva – gritou Ra-inha, a rainha do outro lado da mesa, com a boca suja de manga.
- A rainha está viva – gritaram todos no salão. – Viva o rei.
Foi uma alegria geral. Copos voavam, brindes e vivas para todos os lados.
- Papai! – gritou Matildra por cima da balburdia. – Eu quero me casar.
- Silêncio – gritou o rei sacudindo a barba suja de sopa. – Silêncio – repetiu, e quando todos obedeceram, voltou-se para a filha: – Posso saber quem é o noivo?
- O que é isso? – perguntou Matildra, inexperiente que era nessas coisas de casamento. – Eu vou precisar de um?
- Geralmente é preciso de um noivo sim – respondeu paciente o pai. – E no seu caso deve ser um príncipe – concluiu.
- E onde acharemos um príncipe para Matildra – perguntou a rainha do outro lado da mesa, com a boca suja de abacaxi.
- Temos que chamar Ma-go, o mago – falou o rei depois de pensar um pouco.
Imediatamente um mensageiro foi enviado até a ala sul do corredor norte na parte oeste do palácio para chamar o mago em seu aposento. Ma-go estava dormindo abraçado ao seu ursinho de pelúcia, como fazia todas as manhãs, por isso acordou de mal humor, como acontecia todas as tardes.
- O rei solicita sua presença – comunicou o mensageiro em seu quarto.
- Diga que já… – falou o mago antes de desaparecer numa nuvem de fumaça – … estou aqui majestade – concluiu aparecendo em outra nuvem de fumaça ao lado da mesa real.
O rei, que não se assustava mais com as aparições repentinas do mago, falou secamente: - Minha filha quer se casar.
- Estou muito velho para isso meu senhor – exclamou o mago surpreso e levemente corado. – Mas aceito a honra.
- Ela não quer se casar com você – gritou a rainha do outro lado da mesa com a boca suja de caqui. – Ela vai se casar com um príncipe.
- Meus parabéns princesa – falou o mago, envergonhado e voltando a ficar de mal humor. – Agora, se me dão licença quero voltar a dormir.
- Não o chamei aqui apenas para lhe dar a notícia – interrompeu o rei. – Quero que você providencie um noivo para a princesa.
- Então ela ainda não tem um noivo? – Perguntou surpreso Ma-go, o mago.
- Claro que não – falou a rainha defendendo a filha, do outro lado da mesa, com a boca suja de goiaba. – Ela não pode pensar em tudo. Só o casamento já toma muito tempo de sua cabecinha real.
- Eu não sou um padre, sou um mago. Como irei arranjar um noivo para a princesa Matildra?
- Não se preocupe com isso – falou o rei. – Eu mandarei um comunicado a todos os príncipes solteiros dos reinos vizinhos. Você só terá que descobrir um meio de escolher qual o melhor deles para a princesa.
- Neste caso é bem simples – falou Ma-go aliviado. – Basta confeccionar o mais belo terno que já foi feito. Aquele que couber perfeitamente dentro dele será o escolhido.
- Terno? – Perguntou o rei. – O que é isso? Uma carruagem? Uma caixa de torturas? O que é?
- É uma vestimenta meu senhor – explicou o mago. – Uma elegante vestimenta que o futuro príncipe de Reinomuitodistante deverá usar.
- Ótimo. Assim será – concordou o rei ficando em pé. Levantou sua taça de vinho de fígado de bacalhau e fez o pronunciamento: – Comece os preparativos para o teste, que eu mandarei chamar os príncipes. Em uma semana a princesa Matildra irá se casar.
- A princesa vai se casar. Viva o rei – gritaram todos brindando.
E assim aconteceu. Enquanto os mensageiros do rei percorriam as grandes planícies levando seu comunicado de palácio em palácio, Ma-go, o mago, foi conversar com seu velho amigo Alfa-iate, o melhor alfaiate de todo o reino.
Continua…
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- lauroelme | 25 de abril de 2009 | 15:40 | Aventirinhas []
Livro “Os estranhos anões gigantes” é lembrado no “Dia do Índio”
Deu no site Aprendaki:
O 1º Congresso Indigenista Interamericano no México, de 1940, consagrou o dia 19 de abril como Dia do Índio. Edições SM relembra nesta dessa data os títulos de seu catálogo que ajudam crianças e jovens a compreender, de forma lúdica, a história da população indígena no país e suas condições de vida atuais.
Entre esses títulos, está: Os estranhos anões-gigantes, de Lauro Elme. Nele encontramos questões ligadas aos direitos dos povos indígenas, à ética e cidadania. Mário e Mauri são dois irmãos que adoram ler histórias de super-heróis. O que eles não esperavam é que as aventuras dos quadrinhos pudessem acontecer na vida real. Ao conhecerem Menaíde, uma inusitada catadora de papéis, eles se envolvem numa emocionante missão: ajudar a proteger um estranho povo de anões-gigantes que vive embaixo da terra em meio à Mata Atlântica do litoral paulista. Leitura Indicada para leitores fluentes.
Para ver a matéria completa acesse Aprendaki.com.br
Você acredita em anões-gigantes?
A obra Os estranhos anões gigantes apresenta Mário e Mauri, dois pequenos heróis que moram na cidade de Praia Grande - SP, e que tentam ajudar uma velha índia, catadora de papéis que é maltratada por meninos da redondeza, a salvar um grupo de anões-gigantes que vivem embaixo da terra.
Bem-humorada e repleta de suspense, a narrativa vai pelo caminho do realismo mágico, em que a realidade e o imaginário se diluem e propiciam a reflexão a respeito dos juízos baseados na aparência, da crueldade e injustiça cometidas contra os mais fracos, da importância da terra na vida dos indígenas, do papel da amizade na resolução dos problemas mais difíceis, e de como a sabedoria pode vencer a violência.
O autor Lauro Elme nasceu em Lorena, interior do estado de São Paulo, e atualmente mora na Praia Grande, litoral paulista. Cursou artes plásticas, formou-se em decoração e entre diversas atividades, foi ator de teatro e professor. Começou a escrever quando trabalhou como jornalista – e desde 2000 vem criando histórias para crianças.
O livro, adotado por várias escolas como leitura paradidática, está a venda em todas as livrarias. Veja abaixo alguns sites onde encontrar:
Livraria Cultura - Livraira Saraiva - Submarino - Livraria Loyola - Fnac
Para saber mais acesse www.lauroelme.com.br
As ilustração do livro são de: Samuel Casal.





