Aventirinha: O Vulto
As aventuras de Mário e Mauri
O vulto
Primeira parte:
Já é noite quando Mário e Mauri saem da escola. Hoje foi dia de provas e por isso saíram mais tarde que de costume. Mário, o mais inteligente, terminou logo as perguntas de matemática, mas ficou enroscado nas questões de português. Já Mauri, o mais esperto, foi bem em português, mas empacou em matemática.
Os dois garotos são irmãos e moram na cidade de Praia Grande, no litoral de São Paulo. Moram no centro e estudam em uma escola perto de um morro com um nome engraçado: “Morro do Xixová”. O caminho da escola até em casa é longo, e com o fim da temporada de turistas as ruas estão silenciosas e desertas.
Os garotos poderiam voltar pela avenida da praia, onde sempre há um pouco de movimento, mas o vento frio que vem do mar desmancha o cabelo e deixa as roupas cheias de areia. Por isso preferem as ruas de dentro. Caminham devagar e, como sempre, “conversando pelos cotovelos” (como diria sua mãe).
Mauri está sempre animado, enquanto fala corre dando voltas em torno do irmão, cutucando e fazendo cócegas.
— Aposto que amanhã vai fazer sol, assim poderemos ir até a praia procurar conchas exóticas.
— Com esse vento abafado, nem pensar, amanhã vai chover o dia todo. — Mario é mais pesado que o irmão e não tem a mesma agilidade. Por isso fica empurrando Mauri com as mãos e repetindo sem muita convicção: — Pára Mauri… Pára Mauri.
Eles estão no meio do caminho, em uma rua cheia de prédios altos, todos vazios pela falta de turistas. Apenas uma ou outra janela iluminada mostra que existem alguns moradores no local. De repente Mário pára. Alguma coisa não está certa naquela rua. Ele não sabe o que é, e ele não gosta disso. Mário não gosta de nada que sua mente não possa entender rapidamente.
Mauri continua a correr em volta do irmão. Sem notar que este parou, continua a provocá—lo, usando agora uma pequena régua de plástico para dar batidas sonoras em suas costas.
— Pára Mauri… Pára Mauri. — Desta vez Mário falou com mais força. Não estava apenas repetindo o refrão. Estava dando uma ordem. Imediatamente Mauri parou, preocupado.
— O que foi Mário?
— Olhe aquilo.
— Onde? O quê?
— Ali, na parede daquele prédio. Aquele vulto. Mário aponta para uma imensa sombra escura na parede de um prédio. Eles estão a uns vinte metros do local. O prédio deve ter uns 15 andares, e está com todas as janelas apagadas. A sombra ocupa o espaço de três andares e está perto do topo do edifício.
— Aquilo é só a sombra de uma árvore — fala Mauri, despreocupado. Mas Mário não está convencido.
— Olhe em volta, não há nenhuma árvore tão grande que possa projetar uma sombra naquela altura.
— Então é uma mancha na pintura.
— Não.
— A sombra de uma nuvem.
— Também não.
— Então não é nada Mário, vamos embora — conclui Mauri, começando a ficar preocupado também.
— Olhe, olhe… — grita Mário ainda parado no lugar. — Parece que está se movendo. — De fato, a mancha desce pelo prédio, como se escorresse pela parede.
— Não falei? Era sombra de uma nuvem, — fala Mauri, com seu jeito prático de resolver tudo logo de primeira.
— Mas não tem nuvens no céu… Nem está ventando mais.
É verdade. Aquela ventania de desmanchar cabelo parou inexplicavelmente. De uma hora para outra. O céu está agora completamente escuro, e faz um silêncio que não haviam notado antes. Até mesmo o barulho abafado e constante das ondas na praia, a um quarteirão de distância, parou.
Assustados Mário e Mauri se olham e em seguida olham para o prédio.
A mancha continua a se mover para baixo. Parece escolher uma direção. Está vindo na direção deles.
Continua. Próxima postagem 10/12/2008
Mário e Mauri são personagens do livro “Os estranhos anões gigantes” de Lauro elme, publicado em 2007
pela Edições SM. Para saber mais, clique aqui.
- lauroelme | 3 de dezembro de 2008 | 8:47 | Aventirinhas []
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aila disse:
31 de dezembro de 2009 às 12:41;P hahaha eu pensei quie eu ia me asustar hahaha mais a historia e DEMAIS+++ PARABENS para o altor ou altora ;P





